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Resultados do VAR no Brasil

Leonardo Gaciba (Presidente da Comissão de Arbitragem da CBF) apresentou os números do VAR no Brasil até a 9ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2019. Vamos aos números!

Antes de mais nada, começaremos do princípio sobre como é o funcionamento da ferramenta. Ainda que existam muitas dúvidas, o VAR tem um propósito claro e no Brasil não é diferente. O objetivo do Video Assistant Referee é auxiliar os árbitros de campo a tomarem decisões corretas, buscando diminuir ao máximo os erros em decisões capitais e deixar o esporte mais justo.

Diferentemente do que muitas pessoas pensam, o VAR não toma decisões por si só e, como o próprio nome diz, é mais um assistente do juiz da partida. Ou seja, toda e qualquer decisão tomada em campo é de autoria do próprio árbitro, independente do auxílio que esse obteve para chegar a determinada decisão, seja através de um impedimento marcado com o auxílio do bandeirinha, ou com a não marcação de um pênalti após revisão do lance em solicitação do VAR.

Sendo assim, lances capitais são os momentos do jogo em que a tecnologia é utilizada pelo árbitro ou então, quando os próprios operadores da plataforma convocam o juiz da partida para uma revisão sobre determinado lance. Esses lances capitais em que o VAR é acionado na partida referem-se a:

  • Gol, para checar se existe alguma irregularidade no lance (ou não);
  • Cartão vermelho direto, para avaliar a necessidade da aplicação do mesmo ou em lances violentos não vistos pelo árbitro durante a partida;
  • Pênalti*, para validar o lance marcado em campo (ou não) e;
  • Identificação de um atleta para punição.

*Caso a jogada do pênalti seja referente a um lance de interpretação do árbitro, a recomendação é que, em lances assim não haja interrupção. O que não impede ao VAR de sugerir a revisão do lance pelo juiz de campo.

Números

No dia 09 de julho, o ex-árbitro e agora presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Leonardo Gaciba, apresentou os resultados do uso da tecnologia aprovada em fevereiro/19 por unanimidade pelos 20 clubes brasileiros presentes na Serie A do Brasileiro. A Confederação Brasileira de Futebol reuniu 17 turmas de capacitação e aprimoramento e hoje, existem mais de 100 árbitros centrais, 100 árbitros assistentes, 40 instrutores e 50 operadores habilitados junto ao IFAB (International Football Association Board).

O Brasil é o primeiro país da América do Sul a ter a tecnologia sendo utilizada em todos os jogos da Serie A de seu campeonato nacional e, somados os jogos da Copa do Brasil, Copa do Nordeste e Copa Verde, será, ao término da temporada 2019, o país com o maior número de jogos em que se pôde utilizar a plataforma no mundo, totalizando mais de 420 partidas.

Com o objetivo de levar maior justiça ao futebol e (quem sabe) erradicar erros claros cometidos pela arbitragem, a tecnologia tem obtido sucesso e é o presente e futuro de qualquer campeonato de futebol profissional do mundo.

Situações de pênaltis (até a 9ª rodada do Brasileirão 2019)

Sem o VAR: 57,44% (índice de acerto)

Com o VAR: 91,48%

Erros capitais corrigidos: 16

Situações de Impedimentos (até a 9ª rodada do Brasileirão 2019)

Sem o VAR: 85,70% (índice de acerto)

Com o VAR: 93,40%

Erros capitais corrigidos: 14

Índice de acerto das decisões capitais até a 9ª rodada (gols, expulsões, erros de identificação e pênaltis)

Sem o VAR: 73,80%

Com o VAR: 97,10%

Mudanças de decisões (até a 9ª rodada do Brasileirão 2019)

Impedimento corrigido para gol: 11

Pênalti marcado após revisão: 11

Pênalti desmarcado após revisão: 6

Cartão vermelho aplicado após revisão: 5

Gol validado anulado para impedimento: 3

Cartão vermelho retirado após revisão: 2

Gol anulado por mão do atacante: 2

Erro de identificação corrigido: 1

Adiantamento de goleiro em pênalti: 1

No total, foram 42 mudanças de decisões em 89 jogos. É inegável que houveram avanços em termos de justiça e melhoria das decisões pelos árbitros, mas como nem tudo são flores, há ainda um longo caminho a ser percorrido pelos profissionais que utilizam e são impactados pelo VAR.

Nossos árbitros ainda levam um certo tempo para decidirem se revisam ou não determinado lance, ou até mesmo o tempo que é gasto durante a revisão de fato da jogada, sem contar a transparência das conversas que precisa ser levada ao público e jogadores de maneira geral. Nossos jogadores parecem (muitas vezes) não entender completamente como é o funcionamento da ferramenta, exigindo decisões que não estão a cargo do juiz ou do próprio VAR, assim como as pressões exercidas pelos mesmos em campo, que demonstram falta de educação e respeito pela figura do apitador, cercando os árbitros, dificultando e atrasando ainda mais o andamento do processo.

Comente aqui quais ideias você acredita serem úteis para que a CBF aprimore ainda mais o processo do VAR. E mais, você é a favor da tecnologia no futebol brasileiro ou acredita que o esporte “perdeu a graça”?

Fonte: CBF

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