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Sul-Americana: Atlético 2 x 1 La Equidad – Cazares e mais 10

O equatoriano e camisa 10 do Atlético é, sem sombra de dúvidas o jogador mais criativo do time e quiçá do Brasil. Juan Ramón Cazares Sevillano possui um futebol brilhante, de passes se não perfeitos, que beiram a perfeição e que insistentemente colocam seus companheiros na cara do gol adversário, além dos belos dribles, domínios de bola impressionantes, cobranças de faltas e boas jogadas em campo.

Dito isso, é preciso reconhecer que nenhum jogador no mundo, nem mesmo Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar e outros da prateleira de cima do esporte são capazes de atuar de forma excepcional em todas as partidas disputadas pelas agremiações que defendem, no decorrer da temporada futebolística. É humanamente impossível. Acontece que, ontem (dia 20), Emanuel Carneiro atual presidente e radialista da Rádio Itatiaia deu uma declaração de (no mínimo) muito mau gosto, onde afirmou que, para o Cazares jogar bem (fora de casa), só há “uma solução”, colocar uma “tornozeleira eletrônica” no atleta para que se possa vigiá-lo.

Declaração de cunho racista que foi recebida (corretamente) de forma descabida por parte da mídia que chegou a reportá-la. Para isso, vamos a alguns números trazidos pela conta no twitter do Galo Estatísticas com base nas informações do FutDados referente as temporadas de 2016 até 2019:

Média de gols + assistências (participações diretas em gol):

• Libertadores: 0,56; • Copa do Brasil: 0,49; • Brasileiro: 0,47; • Mineiro: 0,42.

Média de participação diretas em gols (gols + assistências por jogo):

• Arrascaeta: 0,53; • Luan (GRE): 0,51; • Cazares: 0,47; • T. Neves: 0,44; • G. Scarpa: 0,42; • Diego: 0,38; • Ganso: 0,34; • Jadson: 0,34; • Lucas Lima: 0,30.

OBS: O camisa 10 alvinegro foi o único que teve 8 treinadores diferentes nesse tempo, enquanto Arrascaeta e Luan tiveram a presença de 2 treinadores cada um.

Por fim, na temporada 2019, considerando os meias que atuam no Brasil, o atleticano é um dos que mais possui participações em gols + assistências até então:

• Arrascaeta: 10G + 8A; • Cazares: 9G + 6A; • Éverton Ribeiro: 5G + 10A; • Robinho: 4G + 8A; • Gustavo Scarpa: 9G + 3A; • Thiago Neves: 7G + 4A; • Luan: 6G + 5A.

1º tempo

Em meio as declarações de terceiros e a preparação do Atlético para o importantíssimo jogo que ocorrera na noite de ontem, o adversário do Galo não pareceu se amedrontar no início da partida, fabricando uma ótima chance logo aos 18 segundos de jogo em um remate de longa distância que foi defendido por Cleiton. A (inesperada) superioridade colombiana foi tanta, que aos 6 minutos do primeiro tempo o jovem ponta David Camacho (22) abriu o placar em cobrança de pênalti cometido por Elias. E parou por aí.

Defendendo, o penúltimo colocado do Clausura 2019 da Colômbia se postava num 4-1-4-1 e, quando estava em posse da bola o time de Humberto Sierra buscava iniciar as jogadas através do seu volante Pablo Lima, que era o jogador que se mantinha a frente dos zagueiros e transitava horizontalmente de um lado para o outro em busca de espaço para receber e distribuir um passe mais a frente. Dessa forma, quando estava a atacar, o projeto tático pensado por Humberto era de um 4-1-2-3, abrindo bem os lados do campo com seus pontas de boa velocidade e capacidade de drible, deixando o meio atuar de forma mais móvel na hora de pressionar.

Se engana quem pensa que o Atlético se assustou ou se deixou levar pelo placar reverso, com a proposta de jogo propositivo do treineiro Rodrigo Santana, o time alvinegro teve 2 ótimas chances antes do relógio marcar 15 minutos, acertando a trave em ambas. Como já é de costume, o time iniciou num 4-1-4-1 com Jair sendo o principal responsável pela construção inicial das jogadas – e as tem feito com maestria -, tendo Vinícius Goes e Elias logo a frente para atacar e, para defender, quando não está a pressionar no campo adversário, Elias busca recuar e dá forma a um 4-2-3-1 visando reforçar o miolo do meio de campo atleticano.

O empate veio aos 27 minutos do 1T, após cobrança de falta de Cazares, Igor Rabello escora para Jair finalizar entre a pequena e a grande área, mantendo a boa fase do time e do camisa 13 atleticano, que está entre as melhores contratações do clube no ano (se não a melhor). Com 64% de posse, 9 (4) finalizações (certas), 3 bolas na trave e muita pressão junto ao adversário, o Atlético se mostrava amplamente superior ao time da La Equidad e, não fosse o pênalti infantil e uma bola na trave aos 47′ de jogo, o time colombiano sequer levou perigo junto a meta atleticana.

2º tempo

Desde o primeiro minuto do segundo tempo o jogo se mostrava o mesmo, muita intensidade de ambos os lados, até que aos 55′ o centroavante Ethan González foi expulso ao levar o segundo amarelo no jogo, e a partir de então só deu Atlético.

Durante uma cobrança de escanteio, Jair foi empurrado e desabou junto a pequena área, mas o juiz nada marcou. O VAR solicitou que o apitador da partida fosse rever a jogada, e então o árbitro Mario Díaz acabou por dar o pênalti a favor do Galo. Fábio Santos que havia acabado de ser substituído por Rômulo Otero é o cobrador oficial do time, por isso, a penalidade foi cobrada por Cazares e defendida pelo goleiro Novoa que já vinha fazendo uma ótima partida. No rebote da jogada Otero marcou aquele que seria o gol da virada, mas o tento foi anulado por invasão do próprio atleta.

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Com a saída do lateral esquerdo atleticano, o time ficou um tanto quanto “torto” entre o meio e o lado direito do campo, visto que faltava alguém para ocupar os espaços vazios onde Fábio Santos atua. Mas foi numa cobrança de lateral justamente pelo lado esquerdo do campo que a jogada do segundo gol se iniciou, e após a bola ser repassada por Otero a Elias, o volante de 34 anos precisou de 2 toques na bola antes de acertar um belo remate, pegando o arqueiro colombiano fora de posição e concretizando a virada atleticana.

O jogo de volta está marcado para acontecer no dia 27 de agosto, às 21 horas e 30 minutos (de Brasília), e a depender do que o Atlético fez em campo ontem é bem provável que tenhamos mais um semi-finalista brasileiro, já que Corinthians e Fluminense se enfrentarão amanhã (22/08) em busca de outra vaga.

Melhor em campo: Juan Cazares

  • 90′ jogados
  • 87 toques na bola e 52 passes
  • 6 (4) cruzamentos (certos) e 9 (7) bolas longas (certas)
  • 2 grandes chances criadas
  • 2 finalizações no gol
  • 4 (3) dribles (conseguidos)

Precisa melhorar: Ricardo Oliveira

  • 90′ jogados
  • 29 toques na bola e 13 passes
  • 1 passe decisivo
  • 2 grandes chances perdidas
  • 3 finalizações para fora, 2 no gol e 1 na trave

O time do Atlético jogou bem e mereceu um placar mais elástico, em que a diferença poderia muito bem ter sido de 3 gols. O placar apertado demonstra algo já corriqueiro nos jogos atleticanos: falta de pontaria. O time cria inúmeras oportunidades, mas finaliza muito mal. Ricardo Oliveira foi o ponto baixo do time ontem, perdendo boas oportunidades e segurando a bola em momentos que deveria servir os companheiros, ao lado dele, Yimmi Chará vem numa fase decrescente, com más apresentações e pouca criatividade. Os jogadores tem agora uma semana para descansar e se preparar, pois, fácil não será e o La Equidad já provou isso ao clube mineiro.

Comente aqui o que você achou do jogo de ontem e o que espera para a volta em Bogotá, no dia 27 de agosto. Faria alguma mudança no time principal? Se sim, qual?

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