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Remontada à Tiago Nunes – Copa do Brasil (semifinal), Athletico 2 x 0 Grêmio (5×4 p.)

Com a presença de quase 29.000 torcedores, o Athletico devolveu o placar do primeiro jogo no tempo regulamentar e avança à final da competição de mata-mata após as cobranças de pênaltis.

Desde os primeiros minutos de jogo o Athletico se firmou em campo e impôs o seu estilo e ritmo de jogo, fazendo o Grêmio treinado por Renato Gaúcho sofrer sem a bola e se manter acuado em seu próprio campo.

O jogo

SofaScore

O Furacão da Baixada jogou em seu tradicional esquema de 4-1-4-1, dessa vez, Tiago Nunes escalou Léo Cittadini formando a dupla de meio-campistas com o talentosíssimo Bruno Guimarães (21), visando acrescentar um maior poder na retenção da bola e na construção das jogadas para o time rubro-negro.

Mapa de posicionamento de Rony (ponta-esquerda) – SofaScore
Mapa de posicionamento de Nikão (ponta-direita) – SofaScore

O Athletico é um time que detém um poder de movimentação e pressão muito grande, que aposta em manter a posse da bola e no caso de não tê-la, recuperar a bola mais próxima do gol adversário sufocando-o e tentando acelerar durante as transições defensivas do rival. Com as características acima destacadas, Tiago manteve um time com instruções um tanto quanto posicionais durante a partida de ontem e massacrou o Grêmio com seus alas/pontas jogando abertos gerando profundidade e amplitude próximos à linha de fundo gremista, especialmente pelo lado esquerdo de ataque. Nikão alternou entre jogar aberto pela direita e puxar para o meio ajudando seu time a criar de frente para o gol e tentar cruzamentos em busca do centroavante argentino Marco Rúben, enquanto Rony é um ponta de bom poder de drible e explosão.

Athletico com todos os jogadores de linha no campo do Grêmio – Rony e Khellven gerando amplitude e Nikão por dentro

Pelo lado gaúcho, um jogo completamente oposto ao que foi feito na Arena a contar pela primeira partida das semis. Um time que não conseguiu trabalhar a bola em momento algum, não pôde controlar o jogo através da posse como lhe é costumeiro e não teve a inspiração individual necessária para suprir a ausência de seu melhor jogador, Everton ‘Cebolinha’, suspenso pelo acúmulo de cartões.

O Grêmio jogou de maneira igualitária no início da partida, e chegou a pedir um pênalti não marcado após a bola bater na mão do capitão Wellington, em cabeceio de Geromel aos 3 minutos de jogo. Os rubros-negros no entanto, não se abateram e foram pra cima e em uma recomposição mal feita pelo tricolor, com o volante Matheus Henrique (21) não conseguindo acompanhar os defensores e fechar a entrada da área, ou como conhecemos, “fechar o funil”, após ótimo passe de Rony que embaralhou o lado direito gremista, Bruno Guimarães infiltra antes do marcador e manda um petardo no travessão, no rebote a bola sobra para Nikão escorar, abrindo o placar aos 16′ e dando mais esperanças aos torcedores do Athletico. A estratégia de Tiago Nunes já dava mostras de que estava correta, tanto o que foi pensado quanto o que estava sendo apresentado – diferentemente do jogo de ida.

Primeiro gol do Athletico: vantagem posicional e numérica rubro-negra. Rony atrai dois marcadores gremistas e toca para o centro da área, Matheus Henrique, atrasado e com dois adversários ao lado, não fecha a entrada da área em progressão de Bruno Guimarães e Nikão por dentro para finalizar

Aos 30 minutos de jogo o Grêmio esboçou uma reação e em cabeceio de Alisson, bem posicionado, Santos fez a defesa e manteve a segurança que lhe é costumeira debaixo das traves. O Athletico que precisava de no mínimo mais um gol, não parava de pressionar e encurralar o time de Renato, e num dos vários momentos em que o time subia as linhas e se postava inteiro no campo de defesa dos gaúchos, Lucas Halter tentou um chute à la Vincent Kompany (pelo último título conquistado da Premier League com o Manchester City) que saiu por cima do gol de Paulo Victor. Aos 46′, no último lance do primeiro tempo Bruno Guimarães, o ‘todocampista’ de maior qualidade a atuar no Brasil arrisca um remate da intermediária e quase pega o arqueiro tricolor desprevenido.

2T

Faltando apenas 45 minutos para o término do jogo e precisando furar a meta gremista em pelo menos mais uma oportunidade, o time de Tiago Nunes se mandou desde o primeiro minuto em busca da ampliação do placar. Aos 2 minutos do segundo tempo, em bola rebatida dentro da área de Paulo Victor, Leo Cittadini tentou aproveitar de voleio, mas acabou isolando.

No lance (de perigo) seguinte, em mais uma jogada de Rony, o camisa 7 atleticano preferiu não partir para cima dos marcados e sim, realizar o cruzamento, perfeito, na cabeça de Marco Rúben que não marcava havia 12 jogos, para ampliar e levar os torcedores do Athletico à loucura e os do Grêmio presentes ou não na Arena da Baixada, a desacreditarem de vez na classificação.

Leo Cittadini continuava a aparecer vindo de trás, tal como Bruno Guimarães, e numa roubada de bola e puxada de contra-ataque para os donos da casa, Kannemann se viu obrigado a parar o camisa 18 rival por meio de uma falta muito dura, que acabou gerando a sua expulsão aos 14 minutos. Assim sendo, Renato tirou o centroavante André para recompor a defesa, colocando David Braz no jogo e, 2 minutos após entrar, o zagueiro marcou aquele que seria o gol da classificação gremista, mas o bandeira assinalou impedimento.

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Com o time gaúcho completamente recuado e saindo apenas em contra-ataques rápidos com Pepê e Alisson mais à frente, o Athletico tentava chegar pelos lados, com cruzamentos para a área. Aos 39′, o herói argentino por pouco não se tornava o vilão. Em jogada de Alisson em uma de suas escapadas, o camisa 23 cruzou de dentro da grande área adversária e viu a bola desviar em Rúben e só parar em grande defesa de Santos, mais uma. No último lance do jogo, aos 47 minutos, Khellven se lançou em profundidade e cruzou uma bola perfeita na cabeça de Marcelo Cirino, que concluiu para fora.

Pênalti não é loteria, é?

Confesso poucas vezes ter visto cobranças de pênaltis tão bem batidas como as de ontem, com confiança e qualidade, levando em consideração o tamanho do jogo, tensão de ambos os lados e tudo que estava em jogo.

A máxima de que cobranças de pênaltis são mais sorte do que treinamento de fato permanece em algumas situações, mas, quando se há trabalho, concentração e confiança, o que acontece é justamente o que ocorreu na série que levou o Athletico à final.

Do lado paranaense: Bruno Guimarães, Lucho González, Nikão, Marcelo Cirino e Marco Rúben, todos guardaram. Pelos gaúchos: Rafael Galhardo, David Braz, Alisson, Matheus Henrique e Pepê, apenas o último errou, ou melhor, teve a sua cobrança defendida pelo goleiraço que é Aderbar Melo dos Santos Neto, ou como conhecemos, Santos.

Agora o Athletico terá pela frente outro time gaúcho, dessa vez durante a final da competição que pagará 50 milhões de reais ao clube vencedor (e 20 milhões ao vice). O Internacional está na final após bater o Cruzeiro nos dois jogos da outra chave. Os jogos da final ocorrerão nos dias 11 e 18 de Setembro, com os mandos de campos a serem definidos.

Números da partida:

  • 69% x 31% posse de bola
  • 12 (2) x (2) 8 finalizações (no gol)
  • 19 x 13 faltas
  • 4 x 1 grandes chances
  • 3 x 0 defesas do goleiro
  • 509 (437) x (129) 221 passes (certos)
  • 14 (12) x (7) 10 dribles (certos)
  • 19 (11) x (7) 11 desarmes (certos)

Quem você acredita que se sagrará o campeão da Copa do Brasil desse ano? Qual time apresenta o melhor futebol? Comente aqui para conhecermos um pouco mais do que você pensa.

*Foto por Miguel Locatelli / Athletico PR

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