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A intensidade de Mancini. Brasileirão 27ª rodada – Atlético 2 x 0 Santos

Em tarde de quebra de recorde e após 5 partidas sem vitórias, o Atlético enfim conquistou 3 importantíssimos pontos na luta contra o rebaixamento e se afastou mais um pouco do Z4.

O alvinegro paulista por sua vez, conheceu a sua primeira derrota após uma sequência de 6 jogos sem perder, onde obteve 4 vitórias e 2 empates.

A partida

Como vinha sendo feito desde as últimas partidas sob o comando de Rodrigo Santana, o Galo jogou num esquema que conta com 3 zagueiros em campo e em que Réver atua como primeiro volante à frente da defesa. Apesar do problema de velocidade da defesa atleticana, o time soube controlar a partida desde o seu próprio campo com um bom posicionamento, compactação e principalmente, intensidade nas disputas pela bola.

Raça essa que foi mencionada na chegada do próprio Vagner Mancini ao Atlético: “[…] a torcida verá, com certeza, um time intenso, um time agressivo, que eu acho que é a marca do Galo“.

Logo no primeiro minuto de jogo, Réver em uma de suas características, fez um lançamento desde o seu próprio campo em direção a Luan, que estava infiltrando-se na área adversária para rematar com a perna esquerda para abrir o marcador.

Com o gol no início da partida, o time mineiro se manteve atento e pronto para desarmar o time de Sampaoli. Como o Santos utiliza-se do “jogo de posição”, falaremos um pouco sobre o funcionamento desse: a lógica do JdP é a de cada jogador se postar em seu setor, esperando pela chegada da bola, e não o contrário. De modo inverso, os times treinados pelo atual técnico do Liverpool, Jürgen Klopp, atuam com ataques funcionais, típicos das escolas brasileiras, onde os jogadores se organizam de acordo com o setor em que a bola se encontra, com tabelas curtas e buscando passes de ruptura (verticais) – tal como Jorge Jesus tem feito com o ataque rubro-negro.

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Exemplo de ataque funcional, com jogadores organizando-se pelo setor da bola – József Bozsik

Pep Guardiola, exímio treinador e aplicador do JdP define-o como sendo um jogo de “ataques por zonas”, que diferentemente do que muitos acreditam, não é apenas a forma de se defender que pode ser por zona, mas também a de atacar. Sendo assim, cada jogador fica numa zona ofensiva do campo adversário para que a bola vá até ele(s) e, a partir do momento que ela (a bola) chega às zonas dos jogadores é que eles tomarão partido para alguma ação, seja o passe, o drible ou o remate.

Voltando a partida ocorrida no Estádio Independência, após obter a vantagem no placar, o Galo soube ferir o Santos mesmo que sem a posse da bola. Ao deixar a pelota sob o domínio do time paulista, o Atlético povoou o meio de campo para que as construções das jogadas vindas através de Jorge, Jean Mota e principalmente Carlos Sánchez praticamente não ocorressem. Claro, atrelado a boa marcação e incessantes combates dos atleticanos.

Devido à sua forma de atuar, é pelos lados do campo as zonas onde o Santos mais leva perigo aos adversários. Sampaoli mantém os seus pontas gerando largura, ou como conhecemos, amplitude em campo, para que Soteldo e Marinho sejam os “externos desequilibrantes” que Tite tanto citava. Assim como ocorre no Manchester City (e também no Bayern e Barcelona) com Sterling e Bernardo Silva, é possível ver os pontas muito próximos a linha lateral, bem abertos esperando a bola chegar.

Com o time atleticano compactado bem próximo da sua área de defesa, os pontas santistas tiveram muito trabalho para encontrar espaços para que sequer pudessem receber a bola, mesmo que estivessem sempre abertos pelos lados. Com isso, o time atleticano conseguiu minar as armas ofensivas e que tinham grande poder de desequilibrar o jogo a favor do time paulista. Soteldo e Marinho fizeram uma partida bem abaixo de suas formas habituais, enquanto os laterais e pontas atleticanos jogaram de forma consideravelmente boa, visto que a compactação gera aproximação de espaços, logo, se o Soteldo recebesse a bola com condição de dominá-la e partir para dentro da área, Guga e Luan (ou algum outro marcador como Elias e Léo Silva) já se encontravam próximos do adversário e prontos para desarmá-lo em busca de um contra-ataque.

Ainda que o time alvinegro de Minas tivesse isso em mente, algumas situações não são previstas no futebol, e Marinho conseguiu dominar um passe e cruzar para a área aos 20′ do 1T e, por pouco Lucas Veríssimo não empatou a partida.

O Atlético trocou apenas 223 passes, e acertou um número ainda menor: 153, o que representa 69% de eficiência, enquanto o Santos trocou 504 passes e acertou 421 (84%). Entretanto, é possível retirar outra informação desses números: o time de Vagner Mancini soube jogar sem o domínio da posse e, com poucos passes conseguia chegar a meta de Éverson. Atletas como Réver e Nathan tem qualidade para realizar bons lançamentos e essa foi uma das armas utilizadas pelo time ontem.

Leonardo Silva comemora o 36º gol com a camisa alvinegra – Atlético/Reprodução

Di Santo quase marcou em mais um lançamento recepcionado em direção a área, mas o arqueiro santista defendeu o remate e jogou a bola para a linha de fundo. E foi nesse escanteio que os 21.771 torcedores presentes no estádio puderam ver Léo Silva se tornar (mais uma vez) o zagueiro com o maior número de gols em Campeonatos Brasileiros pelo Atlético. Ao fazer o 2º gol do jogo e o seu 1º nesse Brasileirão, Leonardo Silva chegou ao 36º tento com a camisa alvinegra, sendo esse o trigésimo terceiro em Brasileirões – Réver é o vice-artilheiro com 32 gols marcados na Serie A.

2 minutos mais tarde, Réver por pouco não anotou um gol contra a própria meta. Após cobrança de escanteio de Jean Mota, a bola bateu no ombro de Leonardo Silva e sobrou entre o capitão atleticano e Igor Rabello, que se atrapalhou e por pouco não diminuiu o placar.

E apenas aos 39′ do 1T em cobrança de falta de Carlos Sánchez – que já havia marcado um golaço no jogo da ida – foi que o Santos levou perigo ao gol de Cleiton.

Devido a boa marcação de um lado e a carência de chances do outro, o time de Sampaoli buscou, com a entrada de Eduardo Sasha, um maior envolvimento mais à frente com associações próximas a grande área do Atlético e movimentação em busca de abrir a defesa rival. Com pouca margem para troca de passes verticais, o time santista buscou rematar de longa distância para furar tamanho bloqueio.

A estratégia de ambos os times continuou a mesma, e na partida de ontem o Galo se mostrou superior, o que não quer dizer que o time não tenha problemas ou que seja melhor que o time paulista, mas, como tudo é uma construção, com tempo e treinamento, Mancini terá uma semana de descanso para aprimorar o quadro tático antes de encarar o São Paulo no domingo dia 27, às 16:00 horas no Morumbi. Já o Santos terá um clássico frente ao Corinthians no sábado dia 26/10, às 17:00 horas na Arena Corinthians.

Mais uma vez, estratégias distintas foram colocadas à prova em busca dos 3 pontos no Brasileirão. O Galo soube ser cirúrgico e nocauteou o Santos, que se vê a 13 pontos do cada vez mais líder Flamengo. Enquanto a luta do alvinegro mineiro segue sendo contra o rebaixamento, o alvinegro praiano parece destinado a se manter no G4 e não mais que isso.

Comente aqui o que você espera dos próximos jogos de ambos os times e se acredita que o Atlético tem chances de cair para a Serie B e o Santos de ser campeão brasileiro.

Classificações Sofascore Resultados

*Foto via Atlético/Reprodução.

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