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Scout PFTF – Andy Polar

Baixinho na estatura mas de futebol enorme, Andy Polar tem tudo para se tornar um dos principais nomes do Peru, tanto a nível de clube quanto nacionalmente falando.

Nome: Andy Jeferson Polar Paredes

Idade: 22 (17/02/1997)

Altura e Peso: 1,69m e 65kg

Melhor pé: Direito

Naturalidade: Arequipa, Arequipa (Peru)

Nacionalidade: Peruana

Posição: Ponta esquerda

Clube atual: Deportivo Binacional De Desaguadero

Imagem relacionada
Andy em campo pelo Binacional – Via Difusión

Andy teve, desde criança, a sua vida ligada ao esporte mais famoso do mundo. E foi a partir dos 7 anos de idade que ele começou a jogar pelas divisões inferiores do Alcides Carrión e do poderoso Melgar, até que em 2011 o garoto torcedor do Alianza Lima e que hoje é declarado fã do brasileiro Neymar Jr. estreou pela Copa Peru aos 14 anos de idade quando atuava pelo clube do seu bairro, o Deportivo Palmeiras de la calle Colón de Paucarpata.

Mais tarde, chegou a jogar pelo FBC Melgar II onde disputara a Copa (Peru) e as ligas distritais de sua região antes de integrar o time do Binacional – fundado em 2010 e onde o atleta se encontra até hoje – em 2016. Naquele ano, a equipe do peruano se sagrou campeã da “Etapa Provincial” e alcançou às fases finais da Copa Peru. Apesar da derrota no torneio, Andy foi eleito o melhor jogador sub-19 da competição.

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Distritos com liga de futebol (em vermelho) e sem liga (em azul) – Wikipedia

A Copa Peru de 2016 teve o seu formato alterado um ano antes, em que os times presentes faziam parte das Ligas Distritais e Provinciais de cada região do país. Assim sendo, o torneio contava com três fases, em que a primeira dava conta dos jogos de ida e volta dos clubes de níveis distritais e provinciais. A segunda fase consistia na classificação das 50 melhores equipes de todo o país, também no formato de ida e volta, e a terceira seria uma fase final com 16 equipes restantes.

16 equipes classificadas à fase final (terceira fase) da Copa Peru de 2016

Na terceira e última fase da competição, há ainda um quadrangular final em que se decidia qual clube, de fato, seria o campeão do torneio. Em 2016 os 4 clubes classificados à finalíssima foram o Racing Huamachuco, Sport Rosario, Deportivo Binacional e o Deportivo Hualgayoc, com o vencedor sendo o clube do Sport Rosario.

Um ano mais tarde, o Player For The Future de hoje levou o seu clube ao título da competição de mata-mata mais importante do Peru ao anotar 7 gols e ficar a apenas 2 gols do vice-artilheiro da competição e também do seu próprio time. Com o título, o Binacional foi alçado a Liga 1 (Primeira Divisão Peruana) em 2018, e é aí que começa a carreira do nosso ‘observado’ no nível futebolístico mais alto de seu país.

Análise

Apesar de utilizar a camisa de número 10, o peruano atua mesmo é pela ponta esquerda como sua principal posição em campo. Muito habilidoso, criativo e uma ameaça aos adversários quando se encontra com a bola sob seu domínio, Polar tem no lado esquerdo do campo àquela que pode ser considerada como a sua zona de conforto. É por lá que o jovem veloz do Binacional distribui ótimos passes, dribles desconcertantes e constrói boas jogadas para que seus companheiros possam finalizar a gol.

Tanto o clube quanto o atleta tiveram a sua primeira participação na Liga 1 (Primeira Divisão Peruana) em 2018, e logo em seu primeiro ano no mais elevado nível futebolístico do país, Polar anotou 6 gols e concedeu 4 assistências num total de 42 partidas disputadas (3.631 minutos em campo). Além de ajudar o Binacional a se manter na 8ª posição e se classificar para a Sul-Americana de 2019 – a primeira do clube -, ele foi indicado ao prêmio de “Revelação do Campeonato”, que foi vencido pelo ótimo meio-campista Jairo Concha, do Universidad de San Martín.

Gol de Andy Polar em 2018, diante do Real Garcilaso

Após o excelente (primeiro) ano na Liga 1, Andy foi convocado para a Seleção Sub-23 do Peru para a disputa dos jogos Pan-Americanos de 2019, ocorrido em Lima, capital de seu país, mas disputou apenas 47 minutos diante da derrota por 2×0 para o Uruguai. Ao término da competição, a sua seleção ficou apenas com a 7ª colocação, e segue sem medalhas nessa modalidade.

A contar pela Liga 1 desse ano de 2019, traremos abaixo algumas estatísticas que demonstram a qualidade do nosso Player For The Future pelos campos do país pertencente ao antigo Império Inca:

Já são 7 gols marcados e 6 assistências geradas no Campeonato Peruano de 2019. Tais números ajudaram o “El Poderoso del Sur” a se sagrar o vencedor do Torneio Apertura (Abertura), o que lhe assegurou um lugar direto nas semis da competição, que ocorrerá após o término do Torneio Clausura (Encerramento) – O “Bi” se encontra na 4ª colocação do Clausura, com 4 pontos atrás do líder Alianza Lima. Ou seja, nesse ano de 2019 tanto Andy quanto o seu clube podem conseguir o seu primeiro título a nível profissional.

Podemos perceber, entretanto, que apesar de Polar ser um excelente driblador, cuja média é de 6 dribles a cada 10 tentados, e um ótimo passador, seja através de passes chave (17 no total e 0.7 por partida) ou controlando o jogo com seus 86% de aproveitamento, ainda lhe falta aprimorar alguns fundamentos: seja “melhorar a mira” nos remates, para levar ainda mais gols para o seu time, visto que a sua porcentagem de acerto é de apenas 40,7% e a quantidade é inferior a 3 remates por jogo (2.42), como também ter um melhor aproveitamento e participação das jogadas, seja puxando para dentro com a perna direita e soltando um bom passe ou um remate, seja caindo mais para o meio e invertendo as posições com seus companheiros para que ele possa ser ainda mais criativo e decisivo. Mas, como sabemos, isso não depende exclusivamente do atleta, mas sim do seu treinador e do modelo de jogo adotado por esse.

Alguns lances que lhe são característicos:

Domínio e remate de longa distância – 2% de chance de acerto
Andy puxando para dentro para rematar e anotar o seu segundo gol mais difícil do ano – xG 0.04
Recebimento de passe em profundidade nas costas do lateral, para entrar na área e assistir a gol

Conclusão

Semelhante a seu compatriota Christian Cueva tanto no modo de atuar quanto fisicamente, Andy tem ainda alguns poréns que podem levantar certos questionamentos na mente dos dirigentes: um deles é o seu físico, que fazem dele uma presa difícil de ser pega devido a sua agilidade e velocidade, mas que lhe impossibilitam de realizar divididas e embates em campo. Além disso, o fato de atuar profissionalmente há apenas 2 anos (e num campeonato reconhecidamente inferior em termos de qualidade) podem comprometer futuras transferências para fora de seu país natal.

Dito isso, é preciso entender que mesmo em condições adversas o selecionável peruano conseguiu se destacar entre tantos competidores que já atuaram em níveis até mais altos que a Liga 1. Seja por sua qualidade técnica, habilidade com a bola nos pés, velocidade e todos os componentes que lhe fazem um camisa 10 de respeito, é possível dar uma chance a esse jovem que demonstra ter um grande futuro pela frente, ainda mais com um valor de mercado tão em conta (500.000 mil euros) devido a escassez do mercado em atletas com esse perfil.

Athletico-PR

O time até então treinado por Tiago Nunes sabe como poucos se utilizar do um contra um de seus pontas pelos lados do campo. O lado esquerdo onde atua Rony, até então, é um dos pontos fortes do Furacão que contam com sua velocidade, capacidade de drible e cruzamentos/remates à longa/média distância.

Com a saída do treinador sulista, é preciso saber se o modelo de jogo do rubro-negro continuará apostando nas estratégias que levaram esse time a ser campeão tanto da Sul-Americana (2018) quanto da Copa do Brasil (2019): velocidade, pressão alta e a utilização de bons nomes (jovens) em campo.

Com a ida de Polar para o Furacão, o time poderia ter dois pontas agudos em campo, visto que Nikão é um tanto mais construtor que Rony, além de que a verticalidade do time e o próprio atleta (Andy) teriam mais opções tanto na forma como atuar quanto em termos de posicionamento.

Goiás

Com a provável saída do destaque do time, Michael (23), para clubes de maiores projeções e financeiramente mais fortes que o time goiano, o lado esquerdo do ataque (bem) treinado por Ney Franco poderá sofrer uma baixa e tanto. Uma eventual compra do atleta peruano poderia ajudar (e muito) a suprir essa ausência, visto que são jogadores incisivos e que atuam na mesma posição.

Entretanto, mesmo que aconteça o improvável e o camisa 11 goiano continue no time que está prestes a se classificar para a próxima Sul-Americana (ou quem sabe à Libertadores), o ataque poderia ser formado por um trio que uniria força física (Rafael Moura), velocidade, capacidade de drible e potência. Além de buscar um lugar ao sol nas competições de mata-mata, o Brasileirão de 2020 poderia ser outro ponto de equilíbrio, longe das zonas de descenso tal como ocorre esse ano.

*Foto via Elpopular.

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