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5 talentos para se acompanhar após a Copa do Mundo Sub-17

Após a conquista de mais uma Copa do Mundo Sub-17, o Brasil se tornou tetra e consequentemente a segunda seleção com mais títulos conquistados nessa competição, atrás apenas da boa base da Nigéria que é penta.

Títulos por seleção

  • Nigéria (1985, 1993, 2007, 2013 e 2015) – 5
  • Brasil (1997, 1999, 2003 e 2019) – 4
  • Gana (1991 e 1995) e México (2005 e 2011) – 2
  • Arábia Saudita (1989), França (2001), Inglaterra (2017), Suíça (2009) e União Soviética (1987) – 1

Encerrada no dia 17/11/19 com a vitória da Seleção Brasileira sobre o México por 2 a 1, essa foi a 18ª edição do torneio e contou com jogadores cujo ano de seus nascimentos fossem em 2002. Outra curiosidade é o fato de que essa competição ocorre a cada dois anos, e não quatro, como acontece com a “verdadeira” Copa do Mundo.

Um dos males de uma competição tão curta são às análises que podem ser retiradas – principalmente as negativas – durante a ocorrência dos jogos e consequentemente, das vitórias e derrotas das seleções. Assim sendo, é preciso ter cautela tanto para elogiar quanto para criticar os jovens (jovens mesmo) atletas. Afinal de contas, uma fala mal colocada, uma crítica exacerbada ou até mesmo um elogio exagerado podem colocar os atletas em situações completamente desajustadas, o que pode impactar e muito no futuro de suas carreiras.

Conforme destaca o site focado em futebol italiano, L’Ultimo Uomo, podemos ter visto apenas alguns “flashes” de genialidade de alguns jogadores, e é muito comum que muitos desses não se encontrem em tanta evidência no futuro como agora.

Por isso, traremos 5 jogadores que fizeram a diferença para suas seleções no torneio:

Gabriel Verón (17), ponta direita brasileiro do Palmeiras (BRA)

Ensaio Fotográfico da Seleção Masculina Sub-17. Gabriel Veron
Gabriel Veron – CBF/Reprodução

Eleito pela FIFA como o melhor jogador da competição, Gabriel Veron já tentou ser vaqueiro ainda nos tempos de criança – ainda bem que ele não conseguiu. Foi responsável por marcar em três oportunidades, sendo um dos gols eleito como o gol do campeonato, além de conceder 2 assistências.

Veron, que tem esse nome em homenagem ao argentino Juan Sebastian, não possui outras semelhanças com o ex-jogador do Estuadiantes. O nosso Veron é muito rápido, forte, insinuante e habilidoso que diz gostar desse tipo de jogo “dos duelos individuais”, principalmente quando ele precisa ultrapassar o adversário seja através do drible no 1×1 ou por meio de sua velocidade.

Um dos gols do campeonato. Gabriel Veron vs Angola pela Fase de Grupos

“Acho que vai ser muito importante para minha carreira. É um grande passo. Ser melhor jogador da Copa do Mundo não é para qualquer um. Estou muito feliz”

Salientou o jogador após o título

Jogador de lado de campo, Gabriel soube se fazer valer jogando por dentro quando necessário, o que permitia as subidas de Yan Couto e a aproximação de outros companheiros pela direita brasileira. Tal como destacado pelo treinador da Seleção, “Veron tem força, velocidade e ousadia”.

Por fim, sabendo da importância de construir a sua identidade e também o seu futuro, o Palmeiras acabou por renovar com o melhor driblador da Copa do Mundo até o ano de 2024. A próxima parada agora deverá ser a sua estreia no time principal do clube paulista.

Adil Aouchiche (17), meio-campista francês do Paris Saint-Germain (FRA)

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Adil Aouchiche – Facebook/Reprodução

Camisa 10 da França, Adil é resultado da base do clube mais rico de seu país. Após uma excelente Euro Sub-17, torneio em que o inteligentíssimo meia protagonizou ao marcar nada menos do que 9 gols em 5 partidas disputadas e se tornar o artilheiro da competição com 5 tentos a mais que o vice-artilheiro, a sua apresentação em território brasileiro não poderia ser diferente.

Orquestrando o ataque francês com a sua visão de jogo, organização corporal e ofensiva, além de seus passes e jogadas de habilidade no entrelinhas, Aouchiche conseguiu um número estrondoso de assistências no torneio: sete passes para gols em sete partidas disputadas, além de um gol marcado. Foi eleito, muito merecidamente, como o segundo melhor jogador da competição.

“Ele não é normal.”

Jean-Claude Giuntini elogia Adil em uma de suas entrevistas.
Assistência de Adil contra o Brasil a contar pela Semifinal

Capaz de controlar a bola como um adulto do primeiro escalão europeu, Adil já apresenta bastante maturidade com a pelota nos pés, consegue gerar espaços e ocasiões de gol sempre que em posse da bola e é decisivo quando a carrega em busca de atrair os adversários que, consequentemente, permitem a infiltração e ocupação de espaços de seus companheiros em regiões mais próximas ao gol rival. De fato, ele não é (um jogador cuja habilidade possa ser descrita como) normal.

Drible de corpo, drible com a bola nos pés e passe para gol vs Austrália nas Oitavas

Eduardo García (17), goleiro mexicano do Chivas (MEX)

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Eduardo García em entrevista coletiva durante a Copa – Imago 7

Uma das posições mais difíceis de se atrair olhares positivos é a dos goleiros, especialmente quando se trata de jogadores tão jovens debaixo da baliza. Insegurança, desconfiança, falta de experiência e erros são algumas características comumente apresentadas pelos arqueiros das bases dos clubes e das seleções.

Eduardo García provou o contrário, ao menos nessa Copa. Quando exigido, o guadalajarense realizou 4.74 defesas por partida, sendo 44,4% dessas no reflexo. Apresentou ainda ótima coordenação e saída nas bolas aéreas, além de ter sido crucial durante as cobranças de pênaltis diante da Holanda, pela semifinal do torneio.

Com um xCG (expected conceded goals) de 9.1, o arqueiro mexicano foi buscar apenas 5 bolas no fundo das redes, o que enaltece a sua superioridade debaixo dos paus.

Sontje Hansen (17), meia-atacante holandês do Ajax (HOL)

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Hansen após anotar um hat trick diante da Nigéria pelas Oitavas da Copa

Artilheiro da competição, Sontje levou para casa o troféu de Golden Boot do torneio após anotar 6 gols, sendo 1 doblete e 1 hat trick, além de conceder 3 assistências.

“Comecei a competição caindo pela direita e a verdade é que não funcionou. Tanto que até mesmo fiquei no banco na segunda partida”. Depois voltaram a me dar uma oportunidade contra os Estados Unidos, dessa vez como centroavante. E desde então parece que não está indo nada mal.”

Contou o jogador ao FIFA.com

Diferentemente da Euro Sub-17 onde também se destacou e foi campeão junto de sua seleção, Hansen atuou como um falso 9 no Brasil, e a verdade é que o resultado não poderia ter sido melhor. Ainda pela fase de grupos, o avançado da Holanda anotou 2 gols e 1 assistência diante da Seleção do EUA naquela que seria a última chance de classificação para o seu país, e ele o fez.

Após ingressar ao mata-mata, o camisa 7 massacrou a Nigéria ao balançar a rede por três oportunidades, anotando todos os gols que a sua seleção faria naquele jogo. Fato curioso disso tudo é que ele possui ninguém menos que Antoine Griezmann como um de seus admiradores, que escreveu uma mensagem direcionada ao jovem atacante parabenizando-o pelo hat trick e desejando um encontro entre ambos.

Versátil, ele pode ocupar todas as funções de ataque, seja pelos lados ou mais centralizado (como um falso 9). Possui uma movimentação bastante eficaz e, muito por isso, tê-lo preso mais à frente pode vir a ser um desperdício de talento. Por fim, um jogador jovem com uma boa capacidade de remate, físico e velocidade invejáveis, além de bom trabalho de corpo, postura e arranque, fazem de Hansen um jogador e tanto a se observar no futuro próximo dos Godenzonen.

Piero Hincapié (17), zagueiro do Independiente del Valle (EQU)

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Piero contra a Nigéria pela Fase de Grupos

Presente nas seleções de base do Equador desde o sub-15, Piero não pôde ver a sua seleção avançar além das oitavas, entretanto, foi capaz de demonstrar atributos destacáveis de mais um formado pelo Independiente del Valle.

Bom nas bola aéreas, Hincapié obteve uma média de 2.08 duelos aéreos a cada 90 minutos, cujo aproveitamento foi de quase 80%. Somada a essa habilidade, pôde-se perceber a sua boa percepção durante as antecipações em campo, evitando que os avançados adversários recebessem a bola com condição e espaço de causar problemas a defesa equatoriana.

Com um perfil próximo a um “xerifão”, Piero atua com bastante agressividade e garra desde os duelos até o controle da própria defesa. Junto de Pirola (17), central italiano, ele foi um dos mais consistentes e capazes de representar às suas seleções em campo.

Apresentados os 5 Players For The Future para se ficar de olho a partir de agora, gostaríamos de saber quais deles você acredita ter mais margem para crescimento (em seus clubes e seleções), por isso, comente aqui e divulgue em suas redes sociais.

*Imagem via GettyImages.

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