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Scout PFTF – Nicolás Giménez

Camisa 10 que na verdade atua com a 31, o enganche Nico Giménez tem feito um ano de ouro pelo time de Sarandí. Com um futebol e potencial tão grandes, ele poderia integrar o esquadrão do seu clube em 2020.

Nome: Nicolás Ezequiel Giménez

Idade: 23 (16/01/1996)

Altura e Peso: 1,79m e 73kg

Melhor pé: Direito

Naturalidade: San Justo (Buenos Aires), Argentina

Nacionalidade: Argentina

Posição: Meia-ofensivo

Clube atual: Arsenal de Sarandí

Clube pertencente: Club Atlético Talleres

Formado nas divisões de base do modesto Nueva Chicago, clube situado na região oeste da capital argentina no bairro de Mataderos, Nico realizou a sua estreia no time principal em 2015, aos 19 anos de idade, em partida válida pela quinta rodada da Superliga (Série A Argentina). Por lá, o enganche argentino participou de 13 partidas no primeiro escalão nacional , anotou 3 gols e cedeu 1 assistência.

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Nico Giménez em 2016 pelo Nueva Chicago

Após uma temporada difícil para o clube de Buenos Aires, veio a queda para a Primera B (Série B Argentina) e o armador que jogava com a 31 passou a utilizar a 10. E fez jus ao numeral estampado em sua camisola: foram 8 gols e 4 assistências em 21 partidas, sagrando-se o artilheiro e maior garçom do time.

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O cria do Nueva Chicago em seu primeiro ano no Talleres

Com uma boa temporada mesmo que no segundo tier argentino, Giménez foi vendido aos 20 anos para o Talleres pela cifra de 800 mil dólares (aproximadamente 2,8 milhões de reais na cotação da época), cujo contrato foi firmado (e é vigente) até o ano de 2020. Apesar da expectativa em sua chegada ao La T, o que se viu foi um jogador subaproveitado no elenco: foram apenas 5 partidas como titular nas 30 em que ele esteve em campo, com apenas 1 gol marcado e nenhuma assistência dada.

Golaço do meio de campo anotado por Nico em partida válida entre os reservas do Talleres vs reservas do Newell’s

Após duas temporadas de poucas oportunidades e sem poder demonstrar o seu futebol como desejava, seja pelo pouco tempo recebido (936 minutos) em campo ou fora da posição que lhe é preferida, como meia-armador, ele foi emprestado ao San Martín de Tucumán. Uma reviravolta na carreira de um jogador que era comparado até mesmo com Riquelme em seus tempos no Nueva Chicago, como dito pelo próprio:

“Prefiero hacerlo de enganche, que es el puesto donde más jugué. Tengo buena pegada, pero no tanto como para que me comparen con (Juan Román) Riquelme, como hacen en Chicago”

Fala de Nico Giménez em 2016
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O camisa 31 (ao centro) em campo pelo San Martín

Pelo time Santo, Nicolás participou de 23 jogos e anotou 2 gols, abaixo, algumas de suas estatísticas durante a temporada 18/19 pelo clube (todas por 90 minutos):

  • 0.24 gols e 0.21 xG
  • 37.17 passes (78,1%)
  • 3.47 passes longos (55,2%)
  • 1.31 assistências para remate
  • 4.9 dribles (48,8%)
  • 1.43 corridas seguidas

Novamente após um ano recheado de resultados negativos, o clube por ele defendido foi rebaixado mesmo com o camisa 31 sendo um dos expoentes do time, e isso abriu passagem para mais um empréstimo, dessa vez para o Arsenal de Sarandí, seu clube atual e que está a apenas 3 pontos do líder Argentinos Juniors, muito por conta da sua liderança em campo. Pelo clube de Sarandí, Nico não só parece, como está, de fato, vivendo o seu melhor ano na Superliga – dando sequência a sua boa temporada pelo time de Tucumán.

Análise

Longe de ser um jogador de grande velocidade, Nicolás tem como característica principal o seu bom controle de bola – são 23.37 passes recebidos a cada 90mins. em média – e é um carregador bastante capaz de efetuar seus movimentos com o esférico juntos aos seus pés – 1.7 corridas seguidas e 7.25 dribles por partida (45,9%), o que o torna o segundo jogador sub-23 com mais dribles tentados na competição: 98.

Um criador e controlador de jogo nato, que sabe o momento certo de deferir um passe e deixar seus companheiros cara a cara com o goleiro adversário (3.03 passes longos/90mins. com 56,1% de acerto), em plenas chances de anotar um gol – 1.48 assistências para remate, 3.25 passes para a área (43,2%) e 5.55 passes para o terço final (64% de acerto). Nico é também, o jogador com mais passes inteligentes gerados (38).

Nico inicia a jogada e chega à área para anotar (0:35) | Recepção, drible e infiltração com remate (1:20)
Posicionamento médio de Nico

O futebol argentino é pródigo nesse tipo de jogador. É aquele denominado de “enganche”, o jogador que desempenha a função de “meia atacante”, habilidoso, com bom controle da bola para resolver a jogada imediata naquele espaço em que ele recebe a bola e com uma visão privilegiada para arquitetar a jogada que colocará o companheiro, ou ele próprio, na cara do gol.

Texto de 2012 do blog “Futebol Argentino” sobre a função de enganche no esporte

Existem variações em relação ao significado do termo enganche, entretanto, se trata daquele jogador que atua atrás dos 2 atacantes, sendo o “1” de um 4-3-1-2, e é exatamente essa a função que Nico exerce pelo Arsenal. Exemplos clássicos de jogadores com tal estilo: Darío Conca, Walter Montillo, Andrés Iniesta, Isco, entre outros.

Apesar de ter um papel importantíssimo na criação das jogadas, Giménez tem sido mais artilheiro do que assistente no El Arse em 16 partidas disputadas em 2019, ele é o terceiro jogador sub-23 com mais gols (5) e assistências (2) somadas na competição, atrás apenas de Nahuel Bustos (21) do Talleres, com 10 (8 gols e 2 assists.) e Nicolás De La Cruz (22) do River Plate, com 8 (4 gols e 4 assists.). Algo que chama a atenção é a quantidade de “gols esperados” do atleta: apenas 2.9, logo, ele converteu 2 a mais do que o esperado, o que mostra o seu bom poderio ofensivo em campo.

Remate de Nico do seu próprio campo (0:15) e assistência (0:30)

Tal capacidade de incomodar o goleiro adversário lhe coloca na segunda posição ao deferir a segunda maior quantidade de remates na competição, 43 no total. E mesmo que ele esteja marcando além da métrica de xG (expected goals), é preciso afiar a mira, visto que a sua porcentagem de acerto é de apenas 30,23%.

“Especialista no gol que Pelé não fez”, Nico tenta mais um aos 0:10 e marca um golaço de falta aos 1:53

Tantas qualidades e características lhe colocam como um dos melhores meio-campistas do torneio, segundo o Wyscout, situação em que poucos jogadores terão o prazer de terem seus nomes escritos.

Conclusão

Um meia de muita categoria, que dá gosto a quem o acompanha e o assiste desfilar seu bom futebol nos gramados argentinos. Temporizando quando necessário, que sabe a hora de largar um passe decisivo ou um lançamento, rematando e surpreendendo o arqueiro rival. E claro, carregando a bola esbeltamente e construindo com associações e capacidade criativa junto de seus companheiros. Esse é o camisa 31, que na verdade veste a de número 10 logo embaixo da farda azul e rosa.

Corinthians

Um dos problemas apresentados pelo clube paulista ao longo de 2019 foi a sua baixa capacidade de criação e de organização das jogadas ofensivas em campo. Um jogador com o perfil de Nicolás seria uma mais valia para o elenco e para o time principal do Timão. Com a sua inteligência e posicionamento corporal à disposição no relvado, jogadores como Vagner Love, Mauro Boselli e Pedrinho, teriam aquele último passe tão necessário e esperado em diversas oportunidades nas competições disputadas nesse ano e que continuarão imprescindíveis para a Libertadores e o Brasileiro de 2020.

Um jogador com o perfil e o futebol necessários para substituir alguém como Jádson, que já vê a sua carreira chegar ao fatídico momento de se encerrar – após numerosas conquistas e ótimo futebol demonstrado -, e que poderia receber o peso da 10 corintiana mesmo sendo alguém outrora desconhecido, mas que brilha em solo hermano e que poderia acender a mágica da criação na Arena e no Brasil afora.

É necessário, portanto, entender como a utilização do argentino se daria com o novo comandante Tiago Nunes, se ele seria deslocado para uma função mais atacante do que meia, gerando profundidade junto de Boselli ou se ele teria um papel um pouco mais atrás, de criação, tal como é o seu futebol. Léo Cittadini realizou ambos os papéis com o treinador gaúcho em seus tempos de Athletico-PR, e foi muito bem, diga-se.

Flamengo

Após a conquista da tríplice coroa em 2019 e com certa chance de se conquistar também o Mundial de Clubes contra o Liverpool, o Flamengo vive a expectativa de realizar contratações midiáticas de jogadores de renome no futebol brasileiro e mundial. Porém, mesmo que Nico não seja um nome sequer ventilado pela mídia carioca, ele poderia fazer a função que Diego Ribas tem feito com maestria, e que tem em Gerson (22) o titular da posição. A função de ser a ponte que liga defesa e o ataque do time poderia muito bem ser realizada por alguém que outrora usou a 10, mas que poderia sim realizar o papel de um camisa 8. Essa interligação entre quem carrega a bola e direciona o passe limpo para os homens de lado e de frente tem papel crucial no estilo de jogo flamenguista, e o argentino poderia sim se encaixar nesse perfil.

Com um elenco recheado de bons nomes, a função principal do atleta poderia ser a de backup de Éverton Ribeiro e de Diego, que, colocados em situações de jogos constantes e calendário apertado, o argentino poderia ser aquele 12º jogador, versátil, tecnicamente capaz e com um bom entendimento de jogo que seria ainda mais aprimorado pelo português Jorge Jesus.

Comente abaixo se você acredita que Nicolás Giménez tem capacidade e qualidade para integrar essas duas equipes. Caso você não torça para nenhum dos times indicados, comente se você gostaria de vê-lo desfilar em campo pelo seu clube do coração!

*Foto via Rionegro

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