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A MLS e os novos rumos do mercado sul-americano

Muitas vezes ironizada como sendo uma “retirement league”, ou em bom português, uma “liga de aposentadoria”, em alusão aos inúmeros atletas em fim de carreira que decidiram se mandar para a terra do Tio Sam, a Major League Soccer (MLS) tem aumentado e melhorado a sua peneira em relação aos jovens sul-americanos cujo poder de revenda é altíssimo.

Primeiro jogador veterano de renome a realizar o movimento entre o Velho Continente e o Novo fora David Beckham, em 2007, superastro, badalado e campeão dentro e fora de campo. Com a sua chegada, foi criada a regra do Jogador Designado, também apelidada de “Regra Beckham”, em que cada franquia tem a permissão de contratar três jogadores cujo salário está acima do teto de cada clube. Com isso, e após a ida do inglês ao Los Angeles Galaxy, movimentos como o de David foram crescendo especialmente entre a velha guarda que atuava no futebol europeu, e nomes como o de Thierry Henry, Robbie Keane, Bastian Schweinsteiger, Steven Gerrard, Nani, Zlatan Ibrahimovic, Wayne Rooney, Kaká, Carlos Vela, Chicarito e outros, se tornaram frequentes entre os torcedores americanos e do futebol de um modo geral.

Esse processo vem mudando e, principalmente para os jovens sul-americanos, a MLS e a estadia nos Estados Unidos vem se tornando cada vez mais atrativa e considerada entre os atletas cuja idade está abaixo dos 23 anos.

Em um levantamento feito pelo Players For The Future, concluímos que a quantidade os atletas sub-23 sul-americanos atuando em solo norte-americano está no seu menor número em relação aos últimos três anos, o que não quer dizer, porém, que seja pouco expressivo. Por outro lado, a qualidade dos atletas contratados tem crescido exponencialmente, o que explica a atração por esse perfil de jogador e a atenção que os próprios atletas tem dado a liga. No torneio Pré-Olímpico, realizado na Colômbia no início de 2020, pudemos ver que, com exceção dos clubes situados na América do Sul, a MLS foi a liga que mais jogadores cedeu, sendo 10 no total.

Números de jogadores sul-americanos sub-23 presentes na MLS:

  • 2020: 44 jogadores
  • 2019: 55 jogadores
  • 2018: 58 jogadores

Diversos motivos ajudam a explicar a saída desses talentos para a Major League Soccer, entre eles, 3 acabam se sobressaindo em relação aos demais: a valorização do dólar (i); a qualidade de vida ofertada pelo país (ii) e; a MLS como uma ponte para o futebol europeu (iii).

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Diego Rossi pelo Los Angeles Football Club (LAFC) | Reprodução

i. a partir de 2012, a regra do “Jogador Designado” recebeu algumas alterações em prol do rejuvenescimento da liga e também dos espectadores. Assim sendo, jogadores cuja idade está acima dos 21 e abaixo dos 23 anos possuem um teto salarial de 200.000 dólares – números grandiosos e superiores se comparados até mesmo com os jogadores desse perfil que atuam em solo brasileiro ou argentino, por exemplo. Somada a possibilidade de se tornar um jogador jovem designado (como é o caso de Diego Rossi, atacante uruguaio do LAFC), a moeda estado-unidense está em constante crescimento e valorização, especialmente em relação a moeda da Argentina, país que conta com o maior número de atletas sub-23 na competição.

ii. país com o maior número de imigrantes em todo o mundo, os Estados Unidos possuem aproximadamente 17% de imigrantes latino-americanos que, ano após ano vão em busca de uma vida mais digna e com maior acesso a bens e serviços rara ou mal fornecidos em seus países de origem. Com os atletas sul-americanos não tem sido diferente e, muitos deles vêem a comodidade, segurança e até mesmo a distância como fatores cruciais para não se oporem a ideia de disputar a liga americana e claro, de viver em solo estrangeiro visando melhores condições a eles mesmos e também às suas famílias.

iii. por fim, mas não menos importante, a MLS tem sido uma porta de entrada para esses jogadores em relação ao ingresso em outras ligas, especialmente as europeias. Cenário que outrora fazia parte do mercado de Portugal, que contava com ótimos setores de scout e costuma(va) colher frutos em termos futebolísticos e principalmente, financeiros com ótimas contratações de jovens da América do Sul e suas futuras vendas para outras potências europeias. A ida para o EUA tende a abrir as portas para os jovens atletas, como foi o caso de Miguel Almirón, hoje no Newcastle-ING, e certamente será o de jogadores como Brian Rodríguez, Diego Rossi, Ezequiel Barco, entre outros.

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Miguel Almirón e Josef Martínez nos tempos de Atlanta United | Via SBI Soccer

Jogadores jovens designados

Abaixo, uma lista com os Jogadores Jovens Designados sul-americanos dos últimos 5 anos e as respectivas idades na assinatura do contrato (que o enquadravam como tal):

Atlanta United: Héctor Villalba (22), Miguel Almirón (23), Ezequiel Barco (18).
Colorado Rapids: Juan Ramírez (22).
Chicago Fire: Ignacio Aliseda (19).
Columbus Crew: Milton Valenzuela (19).
FC Dallas: Carlos Gruezo (21), Aníbal Chalá (21), Cristian Colmán (23), Santiago Mosquera (23) e Pablo Aránguiz (22).
DC United: Lucas Rodríguez (21).
Houston Dynamo: Mauro Manotas (19) e Tomás Martínez (22).
Inter Miami: Matias Pellegrini (19).
LA Galaxy: Cristian Pavón (23).
LAFC: Diego Rossi (20) e Brian Rodríguez (19).
Minnesota United: Thomas Chacón (19).
Montreal Impact: Lucas Ontivero (21).
NYCFC: Jesús Medina (21).
NY Red Bulls: Romero Gamarra (23).
Orlando City: Carlos Rivas (21) e Josué Colmán (19).
Philadelphia Union: Fernando Aristeguieta (23).
Portland Timbers: Lucas Melano (22).
Real Salt Lake: Jefferson Savarino (20) e Jeizon Ramírez (18).
Sporting Kansas City: Diego Rubio (23).
Vancouver Whitecaps: Octavio Rivero (23) e Joaquín Ardaiz (20).

O mercado futebolístico tem crescido cada vez mais, assim como a necessidade de atualização dos processos que são parte da engrenagem. Cada vez menos vemos os olheiros da moda antiga, que diziam ser necessário “sentir o cheiro da grama” para que, só assim, pudesse se afirmar sobre determinados atletas e seus futuros. Diversas plataformas tem surgido, e com elas, a atualização dos profissionais e a procura por jogadores outrora desconhecidos.

Clubes que não se atualizam, que não são criativos e não exploram as oportunidades e novidades do mercado e de tudo que o gere acabam ficando para trás, prova disso é a “desamericanização” da MLS que tem ocorrido com jogadores cada vez mais jovens e melhores, futebolisticamente falando. Assim como tudo na vida, a transformação e a tecnologia vem para se fazerem presentes em nosso dia a dia, resta saber quais clubes conseguirão não se opor às mudanças e como eles o farão. A novidade já começou, e quem antes era iniciante passou a tomar o posto de quem já fora veterano.

Comente aqui o que você acha ser o mais importante para esses jovens jogadores em busca de um futuro melhor não só no esporte, mas na vida deles e de suas famílias.

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