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Igor Gomes e a ‘Fábrica Calafat’ madrilenha

Falar sobre Igor Gomes e citar as comparações com Kaká, campeão e ídolo do tricolor e da Seleção Brasileira, é algo costumeiro desde que o meia são-paulino surgiu para o futebol e, especialmente, para o primeiro time do elenco do clube.

Igor não é o primeiro e certamente não será o último atleta comparado a Kaká, seja em relação aos jogadores formados no próprio São Paulo ou mesmo fora deles. A lista é grande, e vai de Sérgio Mota a Lucas Piazon, Oscar a Reinier, e de Igor Gomes a próxima joia com futebol atraente e que conte com potentes arrancadas em posse da bola, controle do esférico e dribles, remates e passes limpos.

Muito tem se falado no interesse do clube merengue nos serviços do meia paulista, cujas cifras giram em torno de 50 milhões de euros, que é o valor da multa rescisória do camisa 26. Mais do que a busca por um atleta do quilate de Igor, a procura por jovens jogadores brasileiros faz parte do que os espanhóis chamam de Factoría Calafat, que em tradução livre seria algo como “Fábrica Calafat”, em menção a Juni, chefe de futebol internacional do clube.

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Reprodução/Instagram

Espanhol, José Antonio Calafat de Souza foi criado em São Paulo e tem amizade de longa data com Kaká, Ronaldo Fenômeno e Roberto Carlos, além de ser o braço direito do presidente madrilenho Florentino Pérez em assuntos relacionados a contratações.

Além de possuir o cargo de chefe de captação desde 2014, a sua visibilidade aumentou dentro do clube após o Real Madrid ter passado por duas situações distintas em se tratando de transferências: a busca e contratação de Casemiro, crucial no meio-campo do time que conquistou nada menos do que quatro títulos da Champions e primeiro brasileiro levado pela “Fábrica” foi realizada após o clube ter sido vencido pelo grande rival, o Barcelona, naquela que seria a transação da maior joia brasileira da década: Neymar Jr., cuja contratação já estava sacramentada desde 2011 e foi realizada em 2013. Também foi ele o responsável por levar ao clube jogadores como Éder Militão, Lucas Silva, Rodrygo Goes, Vinícius Júnior, Reinier e outros tantos jovens (brasileiros), cujo objetivo da “Fábrica” é encontrar jovens jogadores com potencial para serem os melhores do mundo em sua posição e fazer dobrar as (altas) cifras pagas por eles em transações futuras. Foram quase duzentos milhões de euros gastos apenas com os 5 últimos citados. E aí entra Igor Gomes.

O “verdadeiro” novo Kaká?

Com seus recém-completados 21 anos de idade, Igor Gomes se tornou titular do São Paulo a partir de outubro de 2019, em partida válida pela 28ª rodada do Brasileirão, jogo em que o camisa 26 anotou o seu segundo gol e concedeu a sua primeira assistência na competição. Antes desse jogo, o meia são-paulino havia disputado apenas 593 minutos pela Série A do ano passado, e a chegada de Fernando Diniz ao comando do time diz muito sobre a sua evolução e condição de titular: Igor precisou de apenas 6 partidas para “se provar” desde que Diniz chegara ao São Paulo, obtendo assim a sonhada titularidade no time principal.

Meia de qualidade e apego com a pelota, Igor Gomes é um excelente carregador que está sempre em busca do contato com a bola e com o lado em que o esférico se encontra. A sua semelhança futebolística com Kaká se dá principalmente por sua característica em realizar progressões com a bola e enfileirar adversários através de sua velocidade, controle orientado e capacidade dribladora. O armador conseguiu 1.91 corridas seguidas a cada 90mins. em suas 27 partidas disputadas na Série A de 2019, além de ter alcançado 50% de êxito em seus dribles.

Capacidade de se desvincilhar dos marcadores em espaços apertados e progressão com a bola controlada
Recepção de bola, orientação corporal e passe entre os marcadores

Dono de potentes arrancadas em direção ao campo adversário, Igor é capaz de se mandar desde o seu próprio campo até a meta rival em busca de um passe para um companheiro ou um remate colocado em direção ao gol. Ele foi o terceiro atleta sub-23 com mais passes decisivos com a camisa do Tricolor pelo Brasileirão, com 5 passes dados, e o segundo em passes inteligentes, com 27, atrás apenas de Antony, líder no quesito com 55.

A sua capacidade de rotacionar sobre o próprio centro, aliada a sua habilidade de controlar e segurar a bola são vitais para eliminar pressões ao lhe permitir transacionar com ou sem o esférico, além de lhe colocar como um temporizador costumaz a ser ativado em diferentes situações de jogo.

Com 29 toques na área rival, o meia são-paulino, que pode atuar tanto como um interior seja pela direita ou pela esquerda, quanto como um meia-armador, se mostra ligado não só nos momentos de criação mas também de finalização e chegada à frente. Seus dois tentos anotados pelo Brasileirão foram, inclusive, bastante semelhantes: infiltração na área adversária, senso de posicionamento e ataque ao espaço vazio na linha da pequena área após passe rasteiro de Antony. Apesar da sua versatilidade e capacidade de atuar avançado entrelinhas, é bastante visível que Igor precise estar próximo da bola, seja para conduzi-la ou para avançar na construção ofensiva, portanto, quando o meia atua em um uma função e posição que lhe permitem percorrer grandes espaços no gramado (com ou sem a bola), o seu futebol tende a aparecer ainda mais.

Por fim, falamos acima de um jogador batalhador, que sabe jogar sem a bola e se dedica junto do time nos momentos defensivos. Igor tem fôlego para pressionar e ativar contra-ataques assim que a bola for retomada, e suas 3.4 recuperações por jogo, sendo 57,9% no meio-campo adversário o ajudam a ser útil não só no ataque, mas também no desafogo de sua defesa. Foram ainda 55 duelos defensivos disputados ao longo da competição, e o camisa 26 foi responsável por vencer quase que 50% dessas ações.

Meia do São Paulo, Igor Gomes se envolveu em acidente de carro em São José do Rio Preto — Foto: Ricardo Moreira/BP Filmes
Foto: Ricardo Moreira/BP Filmes

Tanto a sua postura corporal quanto o seu estilo de jogo, forma como se movimenta, bate na bola e realiza passes o remetem a Kaká e, apesar das comparações não serem tão benéficas para ambos os jogadores, especialmente o jovem que está emergindo no futebol, Igor tem atraído bastante visibilidade para si dentro de campo. Tal como foi a carreira de seu “espelho”, a sua tende a ser majestosa, para dizer o mínimo, e um salto a uma liga e um clube como o Real Madrid tendem a ser uma faca de dois gumes.

A incerteza de receber mais minutos, valiosos nesse momento de necessário acúmulo de experiência e diminuição de debilidades, como o seu alto índice de perdas de posse (9.6 por partida) e baixa produção de remates (1.19/90mins.), e a clareza de se manter em um dos maiores clubes do mundo, fazem essa escolha ser um tanto quanto dúbia. A possibilidade de se manter no São Paulo, mesmo que por empréstimo, caso venha a ser negociado não seja aproveitado num momento inicial, seria benéfica o bastante para que o camisa 26 desempenhasse mais funções e obtivesse mais tempo em campo nessa que seria a sua primeira temporada como titular.

Independente da escolha de uma eventual mudança (ou não), uma coisa é certa, a “Fábrica de Calafat” não costuma errar quando o assunto é a contratação de talentos brasileiros, e o fato de Igor Gomes estar no radar do renomado Juni e do clube espanhol falam por si só. O garoto pode e irá crescer ainda mais, tanto dentro quanto fora de campo, e o seu bom futebol irá lhe recompensar tal como foi no final de 2019 e tem sido nesse início de 2020.

Comente aqui o que você acredita ser o melhor movimento para a carreira de Igor Gomes nesse momento: ir para o Real Madrid (caso a oferta venha a acontecer) ou se manter no São Paulo e buscar maiores aspirações nacional e continentalmente falando?

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